segunda-feira, setembro 05, 2005

* Shhhhh....




Mesmo para quem passa a vida a olhar para o ar, há momentos de celebração e festa: porque são raros, porque são belos, porque nos mostram uma perspectiva diferente da nossa própria situação.
No último ano, um destes acontecimentos foi o trânsito de Vénus pelo Sol, que não queríamos perder.
E fomos, ainda de noite, para a montanha, para ficar acima dos rios de orvalho característicos da nossa floresta, e que percorrem os vales como um duche matinal. Apontámos o telescópio ao Sol nascente e durante algumas horas pudemos observar claramente a elegante silhueta de Vénus, que nesse dia nos virava as costas, e não a sua face brilhante, joia da aurora e do crepúsculo. O disco Solar, limpo e luminoso, era a moldura flamejante da sua imagem.
Disfrutámos da luz e da calma, subtilmente diferentes de um amanhecer qualquer e, no final de tudo, regressámos à terra.

As sementes desta música germinaram nesse dia.





Aqob - A Star (2005)